Rota dos Pescadores


  1. Percurso
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  4. Fauna
  5. Flora
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  7. Comentários

Percurso

Rota dos Pescadores

Rotas do Litoral Alentejano

Perfil: Plano

Época aconselhada: De outubro a abril.

Da Praia do Carvalhal até à Praia da Galé, ao longo da costa, por entre pinhais, passando pelas arribas fósseis da costa alentejana.

Ext.: 12.4 km 04:00h Dificuldade: Gráfico da altitude:

465 pessoas gostam deste percurso.

Descrição


Da Praia do Carvalhal à Praia da Galé (12,4 km)

Dirija-se da Praia do Carvalhal até à Praia do Pego, ao longo da praia ou por uma vereda ao longo da duna litoral.

Do parque de estacionamento da Praia do Pego dirija-se depois para nascente, por uma passadeira que conduz a um pequeno círculo de cimento num local elevado. Desse heliporto de brincadeira, siga sempre para sul, por um estradão paralelo à praia. Acabará por cruzar (em 38 15 18 N, 08 46 07 W) a estrada asfaltada que liga Pinheiro da Cruz à Praia da Raposa.

Continue para sul, ainda, por estradão, até ao vértice geodésico do Medronheiro (altitude 76 metros), a serra de Grândola ao longe, a sudeste. E continue sempre para sul, por entre o pinhal, até chegar à entrada norte do Spatia Melides Beach Residences, um abortado empreendimento que prometia criar 2.000 postos de trabalho, implantado numa propriedade com 800 hectares, e que na altura foi classificado como projeto de "Potencial Interesse Nacional" (PIN), e por isso beneficiou de várias isenções ambientais. Hoje, parece abandonado.

Já deve ter percorrido 2/3 do passeio, um pouco monótono, mas atravesse a estrada que liga a Herdade do Pinheirinho à Praia do Pinheirinho, e continue (em 38 14 06.5 N, 08 46 04 W), agora para sudoeste, por um estradão que se vai também aproximando da costa. Está a dirigir-se para as arribas fósseis da costa alentejana, local de uma beleza mágica, surpreendente, plácida, que nos sugere alguma meditação. Estamos verdadeiramente perante a natureza e a sua eternidade. No alto das falésias, algumas plantas dispersas (ver quais) cortam a uniformidade do arenito. Soberbo!

E continue para sul, por sobre a arriba, ao longo da Praia da Galé, até chegar ao Parque de Campismo da Praia da Galé. Acampar aqui é, só por si, um banho de prazer e calma. Experimentem… É que o passeio termina aqui.

 

Fotografias:

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Mapa



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Fauna


 

Aqui a fauna é mais esquiva. Mas com um olhar atento e a paciência e calma que este percurso nos proporciona é sempre possível ver um vulto pelo ar ou movimentos pelo canto do olho.

 

Sempre presentes estão as gaivotas-de-patas-amarelas e d’asa-escura (Larus michahellis e Larus fuscus) que se podem observar em bandos pousadas no areal a descansar ou a sobrevoar a nossa cabeça. A gaivota-d’asa-escura tem uma plumagem cinzenta-escura no dorso e branca na barriga e cabeça enquanto que a gaivota-de-patas-amarelas é nitidamente mais clara no dorso. São também comuns os guinchos (Larus ridibundus), notoriamente mais pequeno que as outras espécies de gaivotas, com as patas e bico vermelhos e a plumagem da cabeça branca, sendo especialmente abundante nos meses frios; os bandos de pilritos-das-praias (Calidris alba) a correr junto à zona de rebentação; o borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula) com a sua coleira preta, o seu ar rechonchudo e o seu bico alaranjado; e o borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus).

 

Na zona de dunas podem atravessar-se no nosso caminho algumas espécies de lagartixas como é o caso da lagartixa-de-Carbonell (Podarcis carbonelli), endémica da Península Ibérica e considerada vulnerável no nosso país pelo livro vermelho de vertebrados. Este é também território de algumas cobras como a cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis) e a cobra-lisa-meridional (Coronella girondica), entre outros répteis.

 

 

 

Ao olharmos com atenção para a areia na zona dunar podem ver-se pegadas de raposa (Vulpes vulpes) e indícios de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), como pegadas e excrementos, pequeninas bolinhas castanhas espalhadas aqui e além, especialmente perto de zonas escavadas e das suas malhadas.

 

Sendo no mar, no ar ou em terra durante todo o percurso a presença da fauna faz-se notar, envolvendo-nos neste cenário maravilhoso da costa alentejana.

 

 

 

Baseado em:

 

  • http://www.wilder.pt/seja-um-naturalista/como-identificar-as-aves-que-ve-na-praia/

 

Flora


Mais uma vez a vegetação predominante é a vegetação dunar. Aqui são de salientar a presença de arribas constituídas por sequências sedimentares essencialmente detríticas do Plio-Plistocénico (areias finas a grosseiras, cascalheiras e argilas) mas também do Miocénico (arenitos, siltitos, argilitos, arenitos com cimento carbonatado e argiloso com fósseis e calcários). As cotas destas arribas variam entre os 13 e os 50 m. Observam-se também cones de dejecção no sopé das arribas que são constituídos por areias finas a grosseiras com seixos. Os cones de dejecção também surgem associados a linhas de água que desaguam (aluviões) nas praias. As arribas encontram-se cobertas por um campo dunar considerado mais antigo relativamente às dunas que surgem a cotas mais baixas e que são atuais. Devido a estas arribas fósseis, a vegetação dunar tem uma linha de separação bem marcada entre as dunas primária e secundária.

 Quase sem se fazer notar, perto da base das arribas as plantas da duna primária vão aparecendo. São comuns o estorno (Ammophilla arenaria), o feno-das-areias (Elymus farctus), a granza-das-praias (Crucianella maritima) e os cordeirinhos-das-praias (Otanthus maritimus). 

Subindo, até ao topo das arribas, existe sempre vegetação; primeiro vegetação rasteira, depois arbustiva e em seguida arbórea.  

Na vegetação rasteira temos o tomilho carnudo (Thymus carnosus), endémico do nosso país, o cravo-das-areias (Armeria pungens), o goivo-da-praia (Malcolmia littorea), a morganheira-das-praias (Euphorbia paralias), o lírio-das-areias (Pancratium maritimum), o cardo-marítimo (Eryngium maritimum) e extensos “mantos” de chorão-das-praias (Carpobrotus edulis).

 

 

 

 

O chorão-das-praias é uma espécie de planta suculenta, rastejante, nativa da região do Cabo, na África do Sul. Cultivada como planta ornamental e pelo seu fruto comestível, na sua área de distribuição natural, noutras regiões escapou ao controle humano e tornou-se uma espécie invasora, provocando sérios problemas ecológicos na conservação das associações vegetais autóctones. Ao formar vastos tapetes mono-específicos, as populações de chorão-ds-praias eliminam do habitat as espécies pré-existentes, baixando a biodiversidade ao competirem directamente por nutrientes, água, luz e espaço com diversas espécies ameaçadas e em perigo de extinção.

 

 

Ao nível dos arbustos, temos a camarinha (Corema album), o tojo (Stauracanthus genistoides), o rosmaninho (Lavandula luisieri subsp. lusitanica), a sargaça (Halimium halimifolium), o saganho-mouro (Cistus salvifolius), a erva-pinheira (Sedum sediforme) e o zimbro (Juniperus communis).

Por fim, no nível arbóreo, temos marioritariamente pinheiros mansos (Pinus pinea) e lentiscos (Phillyrea angustifolia).

 

 

 

 

Fotografias


Início do Percurso

Praia do Carvalhal

Fim do Percurso

Praia da Galé

Marco geodésico do Medronheiro

Arribas fósseis da costa alentejana

Arribas fósseis da costa alentejana

Praia da Galé

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